Vol 5No 01mayo 2024

Transformando a floresta em comida: as roças de coivara e o manejo do fogo

Vol. 5No. 01mayo 2024pp. 39-60
Palabras clave: 
  • roças de corte e queima,
  • agroecossistema,
  • Mata Atlântica,
  • ciclagem de nutrientes

Vistas al resumen: 108 | Descargas: 56

Resumen

O presente trabalho teve como objetivo estudar uma roça implantada de acordo com a cultura dos caiçaras, uma população tradicional de parte do litoral brasileiro, para determinar aspectos relacionados à sua sustentabilidade ecológica. Esse tipo de roça inicia-se com a derrubada de uma área de floresta e sua queima. O balanço de nutrientes foi feito através das seguintes avaliações: a) fitomassa e nutrientes armazenados na floresta (solo e vegetação); b) contribuição das cinzas para os estoques de nutrientes na roça; c) a produtividade de uma cultura (feijão) e d) balanço de nutrientes do solo entre o plantio da roça e a colheita. Quando comparado o solo sob os dois sistemas (floresta e roça), verifica-se a ocorrência de ganhos de 21,3% de P e 24,9% de K e perdas de 15,3% de matéria orgânica, 37,3% de Ca e 31,6% Mg. No contexto cultural e tecnológico em que o fogo é utilizado nas roças, ele é altamente eficiente na transformação da biomassa florestal inpalatável ao homem em alimento.

Cómo citar

Ferreira, R., Lima, E., & Ribeiro, R. (2024). Transformando a floresta em comida: as roças de coivara e o manejo do fogo. Historia Agraria De América Latina, 5(01), 39–60. https://doi.org/10.53077/haal.v5i01.180

Citas

  1. Adams, C. (1994). As Florestas Virgens Manejadas. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi. Antropologia, 10 (1), 3-20.
  2. Adams, C. (2000). As Roças e o Manejo da Mata Atlântica pelos Caiçaras: uma revisão. Interciencia, 25 (3), 143-150.
  3. Adams, C. (2000). Caiçaras na Mata Atlântica: pesquisa científica versus planejamento e gestão ambiental. São Paulo: Amablume/ FAPESP.
  4. Adams, C., Rodrigues, S. T., Calmon, M. & Kumar, C. (2016). Impacts of large-scale forest restoration on socioeconomic status and local livelihoods: what we know and do not know. Biotropica 48, 731-744. DOI: https://doi.org/10.1111/btp.12385
  5. Barros, A. A. M., Kurtz, B. C., Machado, D.N.S., Oliveira, R.R., Ribas, L.N. & Pessoa, S. V. (2022). Tree species composition in Ilha Grande, Rio de Janeiro, Brazil. Biota Neotropica 22, 1-27. https://doi.org/10.1590/1676-0611-BN-2022-1336 DOI: https://doi.org/10.1590/1676-0611-bn-2022-1336
  6. Begossi, A. (1995). Cultural and ecological resilience among caiçaras of the Atlanctic Forest coast and caboclos of the Amazon (Brazil). Em F.Berkes & C. Folke (Eds.), Linking social and ecological systems for resilience and Sustainability. Stockolm: The Beijer International Institute o Ecological Economics.
  7. Borges, L. P., Amorim, V. A. (2020). Metabólitos secundários de plantas. Revista Agrotecnologia 11, 54-67.
  8. Cunha, G. M., Gama-Rodrigues, A.C., Costa, G.S. & Velloso, A. C. X. (2007). Fósforo Orgânico em Solos sob florestas Montanas, Pastagens e Eucalipto no Norte Fluminense. Revista Brasileira de Ciência do Solo 31, 667 – 672. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-06832007000400007
  9. Denich, M. (1991). Estudo da importância de uma vegetação secundária nova para o incremento da produtividade do sistema de produção na Amazônia Oriental Brasileira. Belém: EMBRAPA/CPATU.
  10. Flores, B. M. & Levis, C. (2001). Human-food feedback in tropical forests. Science, 5 (372), 1146-1147. DOI: https://doi.org/10.1126/science.abh1806
  11. Golley, F.B. (1978). Ciclagem de minerais em um ecossistema de floresta tropical úmida. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo.
  12. Gomes, E. P. C., Sugiyama, M., Oliveira J. R., C. J. F. & Adams, C. (2020). Post-agricultural succession in the fallow swiddens of Southeastern Brazil. Forest Ecology and Management 475, 118398. https://doi.org/10.1016/j.foreco.2020.118398 DOI: https://doi.org/10.1016/j.foreco.2020.118398
  13. Hernani, L.C., Sakai, E., Ishimura, I. & Lepsch, I.F. (1987). Influência de Métodos de Limpeza de Terreno sob Floresta Secundária em Latossolo Amarelo do Vale do Ribeira, SP: I. Dinâmica de atributos químicos, físicos e produção de milho. Revista brasileira de Ciência do Solo 11, 205-213.
  14. Lima, J. A. S. L. (2010). Estimativas da biomassa acima do solo de florestas secundárias da área de proteção ambiental do rio Macacu (RJ). Rio de Janeiro: Embrapa Solos.
  15. Lorenzi, H., Bacher, L., Lacerda, M. & Sartori, S. (2006). Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas (de consumo in natura). São Paulo: Instituto Plantarum de Estudo da Flora.
  16. Mussolini, G. (1980). Ensaios de antropologia indígena e caiçara. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra.
  17. Oliveira, R. R. & Fernandez, A. C. F. (2017). Entre roças e florestas: passado e presente na Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Pós-Graduação 13, 777-802. DOI: https://doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1095
  18. Oliveira, R. R. & Solórzano, A. (2014). Três Hipóteses Ligadas à Dimensão Humana da Biodiversidade da Mata Atlântica. Fronteiras: Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente 3, 80-95. DOI: https://doi.org/10.21664/2238-8869.2014v3i2.p80-95
  19. Oliveira, R. R. (2002). Ação antrópica e resultantes sobre a estrutura e composição da Mata Atlântica na Ilha Grande, RJ. Rodriguesia, 53 (82), 33-58. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-78602002538203
  20. Oliveira, R. R. (2004). Importância das bromélias epífitas na ciclagem de nutrientes da Floresta Atlântica. Acta Botanica Brasilica, 18 (4), 793-799. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-33062004000400009
  21. Oliveira, R. R. (2008). When the shifting agriculture is gone: functionality of Atlantic Coastal Forest in abandoned farming sites. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas 3, 213-226. DOI: https://doi.org/10.1590/S1981-81222008000200006
  22. Oliveira, R. R., Lima, D. F., Delamônica, P., Silva, R. F. & Toffoli, D. D. G. (1995). Roça Caiçara: Um Sistema "primitivo" auto-sustentável. Ciência Hoje 108, 45-51.
  23. Oliveira, R. R., Silva, R. F. & Lima, E. (2004). Transferência de nutrientes em floresta pluvial atlântica sob manejo de populações caiçaras. Pesquisas. Botânica 55, 217-226.
  24. Ruíz, A. E. L., Oliveira, R. R & Solórzano, A. (2017). Buscando la Historia en los Bosques: el papel de los macrovestigios y de la vegetación en la Mata Atlántica Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science 6, 163-182. DOI: https://doi.org/10.21664/2238-8869.2017v6i1.p163-182
  25. Sánchez, P. (1981). Suelos del Trópico: características y manejo. Costa Rica: Instituto Interamericano de Cooperación para la Agricultura. https://repositorio.iica.int/handle/11324/16537
  26. Scheel-Ybert, R.; Boyadjian, C. & Capucho, T. (2022). Por que a sociedade sambaquiana deve ser considerada como de meio termo? Revista de Arqueologia 35, 3-31. DOI: https://doi.org/10.24885/sab.v35i3.995
  27. Schmidt, C.B. (1958). A lavoura caiçara. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Serviço de Informação Agrária, Documento da Vida Rural n. 14.
  28. Silva, J.O, Jesus F.M, Fagundes, M. & Fernandes, G.W. (2009). Esclerofilia, taninos e insetos herbívoros associados a Copaifera lagsdorffii Desf. (Fabaceae: Caesalpinioideae) em área de transição Cerrado-Caatinga no Brasil. Ecología austral 19, 197-206.
  29. Silva, R. F., Lima, E., Berner, P.G.M. & Oliveira, R. R. (2000). Alterações das propriedades físicas do solo em um agroecossistema caiçara (agricultura itinerante). Agronomia (UFRRJ) 34, 14-19.
  30. Silva, R.F. (1998). Roça caiçara: dinâmica de nutrientes, propriedades físicas e fauna do solo em um ciclo de cultura. 1998. Dissertação de mestrado em Agronomia. Programa de Pós-Graduação em Agronomia (Ciências do Solo) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), inédita.
  31. Smyth, T.J. & Bastos, JB. (1984). Alterações na fertilidade de um Latossolo Amarelo álico pela queima da vegetação. Revista brasileira de Ciência do Solo 8, 127-132.
  32. Smyth, T.J. (1996). Manejo da fertilidade do solo para produção sustentada de cultivos na Amazônia. Em Alvarez, V.H., Fontes, L.E.F. & Fontes, M.P.F. (Eds.), O solo nos grandes domínios morfoclimáticos do Brasil e o desenvolvimento sustentado (pp.71-93). Viçosa: SBC, Universidade Federal de Viçosa.
  33. Whitmore, T.C. (1990). An introduction to tropical rain forests. Oxford: Claredon Press.